quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
AS MINHAS CAGADAS MAIS CÉLEBRES................... 5) O TURQUINHO

Não é bem uma cagada, mas é boa história. Meu irmão tem uma mira de atirador da Swat: a gente passava o dia na alfaiataria do meu pai, o seu Renato, que ficava no meio da quadra, entre a Caixa Federal e a Loja Seibt, pronuncia-se Sáibiti. Na outra quadra, defronte à igreja Matriz, haviam as lojas do pessoal de origem palestina, ou turcos, como eram chamados. Um desses "turquinhos" um dia entrou quietinho em nossa loja e disparou um revólver de espoleta, que dava um tirambaço com som alto, bem real: BAM! Todo mundo deu um pulo, e o moleque disparou com uma risadinha pela porta. Quando ele já chegava na segurança da esquina, o Dé, meu brother, juntou um cascalho no meio-fio da rua, abriu o arco do braço e enviou o trovão. A rocha riscou uma curva no ar e, quando o turquinho foi se virar para gozar da nossa cara, não conseguiu puxar o ar: A pedrada acertou bem nas costelas, e ele virou um montinho de roupas no chão. O revólver escorregou na calçada fazendo telec-tec e mais nada. Parecia uma cena de filme. Ainda parece. As risadas se misturaram ao delicioso cheiro de pólvora na atmosfera do prédio número 913 da Osvaldo Aranha.
Tagando e andando:
CAGADAS
MINHAS CAGADAS MAIS CÉLEBRES - 4 - MALDITO TAMANQUINHO!

Eu tinha uns dez anos, um dia minha mãe chega do trabalho trazendo para mim e meu irmão de seis, uns tamanquinhos de madeira, com uma tira de couro e uma fivelinha. Deus o livre da gurizada do campinho me pegar pisando num troço destes. Mas estava na moda, alguns guris usavam, e coincidiu com a nossa viagem, fomos para o Rio de Janeiro visitar meu tio e padrinho, Lenor, irmão caçula da mãe. Lá, quase todo mundo usava algo do tipo, que acredito ter evoluído, ou cruzado com a sandália franciscana e gerado estes chinelos de sola grossa, se não for um sacrilégio. Mami ficou feliz, pois usei o presente. Lá ninguém me conhecia. Mas no dia em que voltamos para casa, até saí com o tamanquinho na rua, andei algumas quadras com o equipamento. Quando cheguei na frente da venda do seu Benno Wendt, onde ficava a bagaceirada, decidi: não vou usar mais essa porqueira. Desci para o chão e voltei para casa na laje quente, feliz, ninguém tinha me visto usando aquelas vergonhas.
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CAGADAS
MINHAS CAGADAS MAIS CÉLEBRES 3) O PARAQUEDAS E O LÁPIS DE COR

A turma toda da rua brincava todo dia na casa de um ou de outro, ou no campinho, não havia regra. Um dia, foi na minha casa. Eu armei uma escada de abrir, com uns dois metros e a gente saltava de cima dela em uma pilha de grama cortada no chão. Uma hora, eu peguei uma rede de dormir, que tinha duas alças na extremidade e me mandei degraus pra cima, tinha encontrado o para-quedas perfeito! Saltei, me joguei bem para a frente e passei da pilha de palha seca, batendo com força no chão. Eu ia começar a praguejar de dor quando senti um leve toque nas costas: A rede havia puxado a escada, que caiu a um centímetro da minha coluna. Eu poderia ter ficado paraplégico naquele dia, minha vida podia ter mudado para sempre. Só fiquei com um arranhão.
Um dia a turma, que por vezes se reunia pra fazer dever de casa, decidiu que iria ser na minha casa a empreitada. Para me sacanear, pois eu era o menor de todos e tirava as melhores notas, sabia mesmo
as matérias, não apenas decorava ou fazia de conta pra enganar o professor, aquilo doía em alguns deles, eu cheguei a apanhar por tirar 10. Mas voltando ao lance: Os caras, só guris, se combinaram de não
levar lápis nem caneta, eu que me virasse para ser um bom anfitrião. Foi o que deu. Os caras começaram a me pedir caneta e lápis, isto acontecia com um e outro, mas não com quase toda a turma...
Não me mixei, mandei todos entrarem em fila e conduzi a linha até o meu quarto, onde dei um toco de lápis de cor pra cada um, marcando o ritmo da tropa na volta para fora da casa. Hahahaha. No outro dia, os organizadores do motim vieram me fofocar que o pessoal tava falando mal de mim, oh, quase escovei os dentes com Bombril de tão preocupado que fiquei.
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CAGADAS
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
MINHAS CAGADAS MAIS CÉLEBRES. 2) OS GINÉCOLOS DA REJANE

Esta se passou no Colégio Nossa Senhora Aparecida, o colégio das freiras, de rico, que meu pai e minha mãe pagavam com sacrifício para nós. Obrigado pai e obrigado, mãe. Na minha sala da sétima série, tinha uma guria que chegava a doer de tão bonita. Morena de olhos azuis, era inteligente e um pouco dengosa.
Eu tinha um método infalível de detectar a quantidade de dengo de uma mulher: basta ouvir ela falando. Quanto mais arrastar as vogais mais cheia do grau a mulher é. Ela se chamava Rejane Reckziegel, e suas vogais escorregavam como uma fórmula-1 nas curvas das frases. Ela tinha vindo de outra cidade, tinha mais vivência, mais consciência e qualquer outra ência que aqueles coloninhos fedendo a leite e mijo que éramos. Um dia, ela bradou, pra todo mundo ouvir: Eu vou ser ginecologista! E duvido que alguém aqui saiba o que é um ginecologista!
Todos se viraram pra mim, eu era o Kid do Triplo R: Resposta-Rápida-e-Rasteira.
E eu não sabia. Não era novidade para mim eu não saber alguma coisa, já que os dicionários da minha casa viviam manchados e marcados pelo uso. Me imaginei dizendo "Ora, Rê (olha a intimidade) qualquer um sabe que é o profissional que lida com os ginécolos" mas logo desisti, ela sabia com certeza o significado e iria me desmascarar, com o adicional de eu ser chamado de ginécolo para toda a vida. Baixei a cabeça e continuei a fazer o que eu tava fazendo, o assunto não era comigo mesmo. Melhor ficar calado e as pessoas acharem que tu é burro do que abrir a boca e ninguém ter dúvida.
A Rejane, eu não tinha tanta intimidade, não conseguiu realizar o seu sonho. Alguns poucos anos mais tarde um acidente de carro roubou-a de nós.
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CAGADAS
NOVA SÉRIE: MINHAS CAGADAS MAIS CÉLEBRES. 1) O DISCO DAS CORES NO PORCO AMARELO

No segundo grau, os três anos eram profissionalizantes. Escolhi o curso de Instalador Elétrico, a primeira turma do Estadual, noturna, era o bicho. Foi erguido um novo laboratório de eletricidade, com bancadas, balcões longos com chaves elétricas, fios, motores de todos os tipos e potências. No maior dos motores, que parecia um porco pintado de amarelo, prendi um velho disco de madeira, sobra de uma antiga experiência de feira de ciências, aquela em que um círculo de várias cores, ao girar se transforma na cor branca? Pois é, eu também queria ver se era verdade.
Pois prendi de qualquer jeito, com fita isolante o disco de madeira de uns 30cm no eixo do motor, conectei seus circuitos e liguei a chave.
VUUUUUUUMMMMM!!!!! o disco começou a girar loucamente, se desprendeu e foi em direção de um colega. Ele, esperto, baixou a cabeça e o bólido passou direitinho por uma janela basculante e sumiu na escuridão da noite, caindo debaixo de umas árores do Colégio Estadual. O que foi isso? Disseram alguns. Todo mundo viu algo, mas ninguém tinha certeza.
Sairam para ver o que tinha voado, mas eu já tinha dado no pira.
Tagando e andando:
CAGADAS
A DUPLA DINOPÉ

OOOOOOOOOOOOOOOOO meu sogro Zé Taquara cuidava de dois bois do seu padrinho, o Bacará e o Tarugo.
Bacará porque o dindo tinha ganho o bicho no jogo.
Os dois bois eram tão unidos, que mesmo estando ajojados, ou seja, presos com uma canga, uma peça pesada de madeira que une as cabeças dos dois animais, eles pulavam juntos a cerca para escapar do serviço e pastar com as
garotas.
E mais, eles colocavam cincerros, que são sinos, no chifres das vacas, para achar as mimosas no campo.
As vacas que não queriam ser encontradas fincavam no chão o chifre onde estava o sino, enquanto pastavam.
Naqueles tempos, os bichos pensavam. Hoje, nem os humanos, hahahaha!
TRASHCAN
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
MIOTOCENTO
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
TRUSTÓR
Eu tava batendio uma caixa com um cara que queria ter sido jogador de basquete, mas não conseguiu. Chegou a passar um ano no Corinthians aqui de Santa Cruz, com o Ary Vidal, que é um técnico TOP, mas o cara me saiu com essa pérola:
- Eu era o melhor do time, mas o merda do Vidal só escalava os bruxinhos dele, deviam estar comendo o bicha careca, etc...
Quer dizer, o cara, em primeiro lugar achava que era filho da Ave Maria com o Ghandi, queria chegar e ganhar a camisa 10. Depois, passou um ano inteiro podendo aprender tudo com o maior mestre que se pode achar por estas bandas, ficou desdenhando um curso grátis de altíssimo nível, hoje ele poderia ser técnico, ter isso no currículo e viver do basquete. Mas não, ele era cheio de preconceito e achava que só ia vencer na vida se tivesse todas as câmeras e holofotes virados pra ele.
Hoje ele escora a barriga num balcão de uma loja de material elétrico, e não gosta das lâmpadas halógenas, não enxerga a beleza de uma instalação bem feita, acha os disjuntores um saco e o som das campainhas à venda estraga seu dia.
- Eu era o melhor do time, mas o merda do Vidal só escalava os bruxinhos dele, deviam estar comendo o bicha careca, etc...
Quer dizer, o cara, em primeiro lugar achava que era filho da Ave Maria com o Ghandi, queria chegar e ganhar a camisa 10. Depois, passou um ano inteiro podendo aprender tudo com o maior mestre que se pode achar por estas bandas, ficou desdenhando um curso grátis de altíssimo nível, hoje ele poderia ser técnico, ter isso no currículo e viver do basquete. Mas não, ele era cheio de preconceito e achava que só ia vencer na vida se tivesse todas as câmeras e holofotes virados pra ele.
Hoje ele escora a barriga num balcão de uma loja de material elétrico, e não gosta das lâmpadas halógenas, não enxerga a beleza de uma instalação bem feita, acha os disjuntores um saco e o som das campainhas à venda estraga seu dia.
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
FÓRLAUM 2010 - 1
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
B-KIND, OU C-JA LEGAL

Havia um reino encantado onde as pessoas eram apaixonadas por pipoca.
Todos naquele lugar tinham a mesma paixão. E este objeto de desejo separava a todos: Cada um gostava de um sabor. E não aceitava que os outros preferissem outros sabores, o seu sabor era o melhor! Como é que aquele cara ousa comer pipocas tão deliciosas com aquele sal todo, e com orégano! Eles tem que preferir o meu açúcar com canela, isto é que é bom! Ao mesmo tempo que cada um queria ter opção para escolher o seu próprio gosto, não permitia que ninguém mais desfrutasse dessa liberdade. Todos se julgavam filhos únicos, príncipes e princesas encantados, prediletos da raça com direito a tudo, ficando os deveres para os outros. Como diz Kurt Vonnegut (eu leio, não faço de conta) qualquer texto acadêmico, script de (B)ollywood ou mesmo uma piada tosca, ao chegar aos seus dois terços, já está pronto. A história das pipocas tem que ter um fim, claro, nossas cabeças são formadas pela tevê, o vilão tem que ser punido no final.
Pois então, um dia acabaram as pipocas.
Daí, as pessoas começaram a comer pão. E ninguém concordava qual era o melhor acompanhamento para passar nas fatias. Pronto.
TATAIA, TATAIA...
Mais umas do José dos Santos Moraes, meu sogro e pai da minha mulher.
Durante o almoço, na presença dos pais, todo mundo era santinho.
Ninguém falava alto, tudo era sim, senhor, sim, senhora. Assim que os
pais iam tirar a sesta após a refeição, o José corria com os irmãos
para um açude próximo, onde eles mergulhavam direto. Quem voltasse do
mergulho sem ter as mãos cheias de barro do fundo do açude, era
chamado de marica. Detalhe, a profundidade da água ali era de onze
metros.
Nos bailes, quem ia saindo primeiro, e a volta para casa normalmente
era longa, deixava surpresinhas pelo caminho. Começavam por soltar os
freios das carroças estacionadas perto do salão de danças, já
imaginando a cara dos "motoristas" nas descidas. Soltavam o gado,
roubavam leite, chegavam a colocar os arados dos incautos em cima das
árvores. Um amor.
Foi o Zé que renomeou o nosso gato. Ele tinha apelido de Lolô. Um dia o Zé chegou e disse: Aquele teu gato, o LOLÓIA, tava aqui em casa e... LOLÓIA! Foi adotado o nome na hora.
ZÉ, ZÉ...

O José, meu sogro, quando era moleque, aprontava algumas brincadeiras
bem violentas. A primeira de hoje é a do pino. Ele estava com um
primo, foram até a estrada de ferro e tiraram um cravo de metal que
prende os trilhos nos dormentes. Quando o trem veio, colocaram a peça
de metal sobre o trilho e ficaram de longe esperando pra ver o que
acontecia. Enquanto se aproximava a Maria-Fumaça, locomotiva inglesa
do século 19, com caldeira a vapor e chaminé fumegante, eles começaram
a pensar: E se esse trem sai do trilho, e além disto descarrila? Um
monte de gente ode morrer hoje, aqui, e por nosa causa! Temos que
fazer algo! O algo que fizeram é um exemplo de heroísmo e
responsabilidade. Saíram correndo, claro, na direção contrária, a
tempo de ouvir o tziiimmmmmermann, enquanto um fragmento do metal
destruído passava chispando ao lado das suas cabeças. O bom de tudo é
ver que estas experiências somam e muito ao caráter de uma criança,
pois quando terminaram de correr, depararam-se com uma carroça
estacionada junto de um mato. Como o dono não estava por perto,
tiraram as cavilhas, as peças de madeira que seguram as rodas no
lugar. Pediram para os cavalos não dizerem nada, e se esconderam numa
macega ali perto, para ver o espetáculo. Mas ali pagaram o ingresso:
Por horas enfrentaram um solão no estojo do pensamento, com medo de
pisar numa cobra cruzeira. Pra somar o castigo, o cachorro do dono
voltou mais cedo e ficava rondando o lugar onde eles estavam,
ameaçando atacar e morder as canelas dos sacanas. O esforço valeu?
Oié, assim que o carroceiro botou a nave a mover, caíram as quatro
rodas. Os dois filhos de duas boas mães vazaram sem fazer barulho, só
quando estavam do outro lado da sanga é que começaram a rir.
HISTÉRIAS DO ZÓ

Seu Anapinho, que hoje não precisa mais comprar graxa para os sapatos,
quando era guri, tinha uns 17, 18 anos, namorou uma moça. O romance
engatou tipo merda em tamanco, tanto que o Anapinho até passava as
noites na casa da gaja. O que era visível até pro Maurício, o ceguinho
que tocava flauta na estação de trem é que a cada dia a garota,
querendo agradar o pretendente, matava uma penosa do quintal e fazia
uma panelada de galinha com arroz pro "noivo". Um dia após o
falecimento da última poedeira de ovo, sumiu o Anapinho, nunca mais
deu as caras. Como diz um filósofo amigo meu, "acabou o faimirrí,
acabou o amor"
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
É SÓ SOMAR DOIS MAIS DOIS

A filhinha da Mirlene tem quatro anos. Semana passada ele olhava um casal de atores se beijando na novela. Perguntou: Mãe, o quequi é isso? A Mirlene disse: É um beijo, minha filha, quando duas pessoas se gostam elas se beijam. Por quê? A menina responde: "É que quando eu olho, eu sinto umas cócegas na minha perereca". Palavras da Mirlene.
ABZUZO
CALHAUMOBILE

Calhau, jargão midiático, quer dizer o seguinte: Os vagabundos do departamento comercial deixaram tudo pra última hora e não venderam o espaço publicitário. O veículo, então, coloca um anúncio, um comercial de tv, de rádio, seja o que for, no lugar, dizendo ao público como é bom aquele jornal que ele já comprou, aquele canal de tv que ele já está assistindo, puxa, precisamos muito mesmo saber essas coisas. na foto, a realidade da F1: Essa é a ex-BMW, equipe que já estava pendurada na teta germânica e teve que começar a correr com suas próprias rodinhas durante o inverno europeu. Se eu fosse o Papai Noel, evitava o velho continente por uns anos.
Agora fica a dúvida: e os vagabundos do depto. comercial???
AINDA NÃO LI, VOU LER DEPOIS, MINHA MULHER LEU E ME DISSE QUE É MUITO BOM, ENTÃO VOU LER.

MARCELO FERRONATO
de Valência
Antes de ir dormir ontem de noite, já bem tarde na madrugada daqui, conversei pela internet com um amigo jornalista. É o Guilherme Dorneles, e como eu sabia que ele já tinha tido experiência em uma cobertura pelo Grande Prêmio aqui na Espanha, pedi algumas dicas pra ele. Minha dúvida era basicamente "como funciona o esquema de comida para a mídia na F1?".
O Guilherme me tranquilizou, dizendo que sempre tem algumas coisas pra comer e ainda revelou que tem 'boca livre' onde a Red Bull se instala. "Putz, mas a Red Bull não veio aos treinos", me perseguiu esse pensamento. "Ah, mas a Toro Rosso está aqui, e como é tudo a mesma coisa, vai ter o tal do rango de graça", pensei.
E hoje, depois de tomar um belo café-da-manhã, fui despreocupado para o autódromo de carona com uns alemães que conheci no restaurante da pousada — sim, evoluí, estou numa pousada agora. Valeu muito à pena a carona. Primeiro, porque economizei com o táxi, já que ouvi do recepcionista que eu teria que andar 45 minutos se quisesse ir a pé. Segundo, porque já acertamos carona fixa. Vou e volto com eles a partir de agora. E terceiro, porque a conversa no carro rendeu uma bela matéria sobre o Schumacher.
Chegando no circuito Ricardo Tormo, peguei a credencial com a mocinha que demorou pra achar meu nome entre os dos 315 jornalistas que haviam se inscrito até o momento. E depois seguimos pra sala de imprensa. Fomos uns dos primeiros a chegar, e como a enorme sala estava praticamente vazia, seria fácil notar a existência de alguma mesa com quitutes. Nada. Mas como o café ainda estava no meu estômago, deixei pra pensar nisso depois.
Depois de escrever algumas matérias pequenas, fui tentar desvendar o primeiro mistério do dia. "Quem seria o segundo piloto da Renault? O time vai fazer o lançamento hoje só com um competidor?". A equipe francesa havia confirmado apenas o Kubica, e como a apresentação oficial da escuderia seria logo mais, pensei que alguém poderia me dar alguma dica.
As salas de imprensa dos circuitos ficam geralmente acima das retas de largada, então é preciso descer escadas pra chegar a alguma informação. Mas nesse caso nem foi preciso. Logo que levantei, dei de cara com a assessora da Renault. "O time vai apresentar os dois pilotos hoje?", perguntei. "Sim", respondeu apressada. "E quem é o companheiro do Kubica?". "Não sei", ouvi. Lógico que ela sabia. "Você sabe né, mas não quer falar", eu disse. Ela sorriu, deu uma piscadinha e foi embora.
Pronto, já sabíamos que o lançamento não seria com um piloto só. "Mas e o outro?". O nome mais cotado era o de Vitaly Petrov, que acabou sendo confirmado no final do dia. Mas ninguém tinha certeza ainda. Então desci as escadas.
Ali no meio dos caminhões da Renault, vi um mecânico dando sopa. Cheguei e dei uma de joão-sem-braço pra ver se tirava alguma informação. "Você sabe que horas o Petrov chega aqui no autódromo?". "Deve ser antes das quatro, né? O lançamento está marcado para às quatro e meia", respondeu. "Então é o Petrov mesmo o segundo piloto da equipe?", devolvi. "Não sei, não sei se é o segundo ou o terceiro", falou.
Continuei cavando. "Então ele já foi mesmo contratado pela Renault?". "Não sei. Na verdade, ninguém da direção da equipe me disse nada. Eu estou te dizendo isso somente com base nas minhas opiniões. Pelo que tenho visto ultimamente, deve ser ele". A informação não era oficial, mas já dizia muito.
Voltei pra sala de imprensa para contar a novidade aos colegas do site que estão no Brasil, que atualizavam incessantemente o conteúdo do Grande Premio. E nisso, um deles, o Felipe Paranhos, me avisou que um jornalista inglês havia publicado que viu o Rubinho dando o ar da graça no circuito. "Opa, tenho que achar o cara". E lá vou eu de novo para as escadas.
Perguntei pra um mecânico da Williams onde eu poderia achar o brasileiro. "Logo ali, ó, está almoçando", respondeu. Aí eu me toquei que já era uma da tarde e lembrei que estava com fome. E lembrei que o café que tomei às 8h já tinha desaparecido completamente do meu estômago. "Mas é o Rubinho, eu tenho que falar com ele", pensei, aquietando minha vontade de fazer aquilo que o piloto estava fazendo.
O local onde ele estava era uma área restrita para os membros da Williams, mas fingi que não sabia e entrei. Fui direto na mesa dele, interrompendo seu tranqüilo almoço com os mecânicos do time que ele vai defender nesta temporada. "Rubinho, desculpa te interromper, mas você poderia me dar uma entrevista quando acabar?". "Lógico. Quando eu terminar, te encontro ali na saída", disse muito educadamente.
Fiquei andando de um lado pro outro ali na entrada da tenda onde ele estava, pensando nas perguntas que eu iria fazer e procurando um lugar em que não batia tanto vento, pra não estragar o som no gravador. Ele saiu e me disse para eu segui-lo. "Preciso achar um lugar em que esse vento forte não atrapalhe a gravação", eu falei. "Vamos ali no meu motorhome, então."
"Vamos ali no meu motorhome?", pensei. E aí lembrei que o Rubinho tem um furgão que utiliza quando viaja para as corridas e treinos. Ele acampa nos autódromos dentro desse furgão, que tem tudo o que alguém pode encontrar em um bom quarto de hotel.
Entramos. Ele desligou a TV, e aí começamos a conversar. Falamos sobre as expectativas dele pra temporada, sobre o retorno do Schumacher, sobre a possibilidade de ele continuar na F1 até os 40 anos de idade — ele tem 37 — e muitas outras coisas. Você confere tudo no Grande Premio nesta segunda-feira.
Marcelo Ferronato/Grande Prêmio
O interior do veículo é impressionante. Super confortável. Uma sala pequena com sofás e uma mesa, um quarto, um banheiro, TV, internet e uma cozinha. Sim, quando vi a cozinha, lembrei de novo da minha fome, e vi que já eram mais de duas da tarde. Quando estava me despedindo do Barrichello, perguntei se ele sabia se o Petrov seria contratado pela Renault. "Não sei, mas o carro dele está aí, ó", apontando para um carro com uma placa da Rússia. "Pronto, matei dois coelhos", pensei. Agradeci ao piloto e voltei correndo pra sala de imprensa.
[Grande Prêmio direto de Valência]
► Carro com placa da Rússia entrega presença de Petrov no autódromo
"Gente, tirei foto do carro do Petrov, deve ser ele mesmo na Renault. E acabei de entrevistar o Rubinho", escrevi. Enquanto nossa equipe do site preparava como iríamos publicar isso, fiquei de olho no relógio. Às 14h30, a BMW Sauber iria fazer seu lançamento oficial. "Tenho meia hora pra mandar as fotos pro Brasil, escrever alguns detalhes e almoçar. Dá tempo", pensei. Nada disso. Às 14h26 ainda estava na frente do computador. Fechei tudo e saí correndo para ver a Sauber lançar um carro feio, quase inteiro branco e com quase nenhum patrocínio.
Marcelo Ferronato/Grande Prêmio
Depois das entrevistas coletivas do chefe da equipe Peter Sauber, do diretor-técnico Willy Rampf e dos pilotos Pedro de la Rosa e Kamui Kobayashi, voltei para o computador. Eram quatro da tarde já, e nada de lanchinhos oferecidos pelas equipes ou algo parecido. Nem lembrei de ir conferir as instalações da Toro Rosso. Não tive tempo.
Às 16h30, começava outro lançamento, o da Renault. Impossível atualizar as informações para os companheiros do Brasil e sobrar tempo pra comer. "Você não comeu ainda, caipira?", me perguntou o editor-chefe do site, Victor Martins. "Não deu tempo". Não era culpa dele, nem minha, nem de ninguém. Faz parte, como diria o sábio Kleber Bambam — sim, desenterrei.
Passei tudo para a equipe e me mandei de novo para a pista pra ver o lançamento da Renault. Expectativas confirmadas. Um dos pilotos que tirou o pano que cobria o novo carro do time era Vitaly Petrov. Entre os dois carros apresentados, certamente o da Renault impressionou mais, com uma pintura em amarelo e preto homenageando o primeiro modelo com que a equipe disputou uma corrida de F1, em 1977.
Marcelo Ferronato/Grande Prêmio
Entre a sessão de fotos e a primeira entrevista, havia um pequeno intervalo de 20 minutos. "Nossa, que bom, a Renault pensou em mim, vou poder comer". Passei as fotos rapidinho para o pessoal e me mandei pro restaurante do autódromo. Quando cheguei lá, ofegante, uma senhora saiu do prédio e me disse: "Está fechado."
Nem perguntei mais nada, decepcionado, com raiva e preguiça de saber o porquê. Adianta? Não. Então decidi que iria entrar nas instalações da primeira equipe que eu visse e que pediria algo pra comer.
Dei muita sorte. Entrei numa tenda da BMW Sauber e perguntei pra uma moça se ainda havia almoço. "Almoço? Já são mais de cinco. Mas espera aí que eu faço um lanche pra você". "Fazer um lanche pra mim?". Não acreditei. Segui a moça até a cozinha, agradecendo intensamente pela boa ação que ela acabava de fazer.
Marcelo Ferronato/Grande Prêmio
Voltei pra sala de imprensa correndo, porque já estava em cima da hora da primeira entrevista dos membros da Renault. Deixei meu lanche do lado do computador e me mandei. Depois de ouvir umas mil vezes a palavra "business" de Gerard López, chefe do grupo de investimentos Genii, que assumiu o comando do time, fui para as entrevistas de Kubica e Petrov.
Conversei com os dois pilotos e voltei pra frente do computador. Mesma história: mandei algumas informações pro pessoal, enviei as fotos, e aí já eram sete da noite. Já estava escuro, e os jornalistas começavam a levantar o acampamento. Meus colegas alemães, que me deram carona, me disseram: "Estamos saindo em cinco minutos. Vai querer ir com a gente?"
Despedi-me pela internet dos incansáveis companheiros do site, peguei o sanduíche que havia deixado do lado do meu computador e fui comendo no caminho de volta para a pousada. Aprendi a lição. Amanhã, vou levar um lanchinho na mochila.
SHIT FOUNDED!

Tenha cada vez mais, tendo cada vez menos.
Achou difícil? Então pensa no queijo. O queijo tem furos, que não são queijo. Mas quando você compra o laticínio, ele vem com as cavidades, assim sendo, quanto mais queijo, menos queijo, o que se aplica a tijolos de 21, 12, 4 e 8 furos, bloquetes de concreto, bobs de cabelos, etc.
BOLORI, BUBA & ALL THAT MATTERS

Este é o Bolori, um grupo de amigos que fez a palavra amigo ficar anêmica e cheia de olheiras. Estamos juntos desde sempre, sendo que o universo começou na década de 1980, em Venâncio Aires, na Rua 13 de Maio, entre a Tiradentes e a Visconde do Rio Branco. Ali viviam os principais gurus daquela sociedade: Iuri, Vladi, os irmãos Cosmonautas, o Binho, que por afinidades voltou-se para a turma dos carros, o Samuel, e... um tal de Sandoval. Lembro do dia em que cheguei na turma, e naquele dia viria, após o almoço, pra gente brincar na rua, o tal de Sandoval. Hmmm, vamos ver, vamos ver, pensei. Se ele se meter a bonzão já vai sair com um "batismo" na pinha. Pois não é que o cara era legal? Tô até hoje esperando a oportunidade pra batizar o Sandova e enão tem jeito do cara virar um babaca, nem por cinco minutos. Tem o meu voto, vocês já devem ter notado, caso ele concorra a síndico. Minha sobrinha, aos dois anos, chamava ele de "Buba". É o gajo gaiato à direita, de pé, com terno cinza claro. Valeu Sandoxxx e Pretilho Bullet pelas fotos! Eu tô no centro, agachado fazendo cara de louco. Fazendo.
Bem à direita, o apresentador de TV e goleiro de futebol de botão Ico Thomaz. Mas não seja por isso, todos aqueles ali são celebridades pra mim.
PÁ

Tenho um amigo que quando alguém tá mexendo com eletricidade, tipo ligando uma tomada acocado atrás do computador, ele chega bem quietinho e berra: PÁÁÁ!
Adivinha se o mininu não precisa de atenção constante...
Bom, todo esse nada é pra dizer que começou a temporada 2010 da F1. Gosto que me lambo deste treco, nem sei se é um esporte, uma novela ou só umas fogueirinhas de vaidades V8 com pneus sem sulcos.
Aqui, uma cena rara, um F1 na primeira hora da manhã. Da manhã de hoje, cochilei esta do Grande Prêmio, sou puxa do Efeguemez. Note o sol incidindo de lado, o carro sombrio, o drama, e o meu favorito para o título 2010, Felipe Massa. Também porque é brasileiro, mas não só por isso.
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