Mostrando postagens com marcador Histórias. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Histórias. Mostrar todas as postagens

sábado, 1 de setembro de 2012

O TITO, O OLÍS E O MISTERIO DA GALINHADA

Seu Olís, cujo nome era Ulysses, foi cozinheiro de uma equipe que andava, nos anos 1960 a 1980 no interior do estado do RS, marcando árvores para postes, a serviço da companhia elétrica. Com ele viajavam o motorista Tito, o José, meu sogro, o Anselminho e o seu Wilson, o chefe da turma. Quando o jantar era galinhada, o pessoal reclamava que só pegava os pedaços sem carne da galinha, só pescoço, asas, sambiqueira e quetais. Uma noite o Tito ficou na tocaia só sacando o que o cozinheiro Olís fazia. Ele assava os pedaços na caçarola e antes de colocar o arroz, que cobria tudo, movia as peças mais saborosas e cheias de carne para o lado do cabo. Com isto, a turma se servia na parte da frente da panela, onde estavam os piores cortes, sobrando os bons para o cozinheiro. Nisso o Tito foi se servir e tungou a colher no lado do cabo, o Olís berrou:
- Vê se isto é jeito de se servir, junto do cabo...
 E o Tito, na hora, com aquela voz de escapamento de DKW:
- Tu cala a boca alemão desgraçado, tu pensa que eu não vi que tu bota os pedaços bons, a moela, as coxas, desse lado e só tu come?
Acabou ali o mistério da galinhada.


segunda-feira, 30 de abril de 2012

OLIVIA

Olivia sonha todas as noites que é uma coruja. Ela voa em silêncio entre as casas da vizinhança, sobe aos morros e olha o mundo lá de cima. Às vezes ela encontra uma pena entre seus lençois.

Eu faço o processo invertido. Desenho sem fazer esboço, vejo o que saiu e escrevo a história a partir do que o desenho me diz.

domingo, 1 de janeiro de 2012

37 - PINGUINHO

Pinguinho era o outro piloto da equipe Bogorny, onde corria o Mazinho. Mazinho usava o 36, herdado do Chefe de Equipe Nélcio Bogorny na sua moto amarela e preta, Pinguinho, frequentador da Alfaiataria do meu pai Renato, ia de 37. Era covardia comparar qualquer piloto ao Mazinho, mas mesmo assim o Pinguinho não se mixava e ia pra cima. O acidente fatal que nos roubou o Elmar Marques da Costa, filho guitarrista da Dona Nália e do construtor da igreja Matriz, o seu Aquiles, naquela rua do centro de Camaquã fez esse sonho sumir, não virou pesadelo, o sonho transformou-se em nada. Naquele domingo a história entrou noite adentro escrevendo no livro dos grandes heróis, até que as velas se apagassem. Na imagem, o animal no seu habitat natural, o posto de número um.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

SHAKESPERANDO

No vizinho, cinco pardais nasceram dentro do aquecedor de água. A mamãe não conseguiu alcançar comida para eles, que morreram de fome. Ficaram ali, tentando passar pela grade para alcançar a salvação, que veio mas não chegou. Tragédia por alguns centímetros.

E eu aqui, achando que tenho problemas.

Ah, sim, Shakespeare foi quem escreveu, se ele não foi uma velha índia ou um grupo de 20 escritores, como suspeitam, que as tragédias nunca vêm sozinhas.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

PADRONAGEM

Dia desses fui numa casa noturna, com a Naira e outros casais e encontrei um conhecido das antigas. O cara estava há anos ausente, e ao me ver, pulou no meu colo, dizendo:
- Eu não acrediiiito! fala, brother!
Me senti lisonjeado por tamanha intimidade, o cara era apenas um conhecido, beleza, a gente gosta de ser bem-vindo.
Mas a seguir, chegou outra pessoa, o cara reconheceu o chegado e pulou no colo do cara, dizendo do mesmíssimo jeito:
- Eu não acrediiiito! fala, brother!

Já o seu Renatilho viu tudo, lição aprendida, nunca cumprimente duas pessoas da mesma maneira. essa ee legítima do Larry David

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

POST INTERATÍS - Um arroubo de modernez!

Você tem-se que participar-lhe!

Responda com um número, e escolha o assunto sobre o qual vou jogar minha inopinião vagaba, xexelenta e ranheta, mais baixa que chinelo de gordo, para seu gáudio!

Escolha sua escolha no cardápio a seguir:

1. As Havaianas e o fim do mundo.
2. O ON. On distá ocê?
3. Você escolhe o assunto.


domingo, 30 de outubro de 2011

ÀS VEZES

Às vezes a fruta com um machucado é a mais doce.
Às vezes o peso das correntes torna o prisioneiro mais forte que elas.
Às vezes o grande foge da sombra do pequeno.
Mas nem sempre, só às vezes.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

COITADIANO

Quase quatro da tarde, no meio dos passarinhos uma criança faz IEIEIEIEIEIEIEIEI, distraída em seu barulhar, a mãe sentada na cadeira de praia na frente de casa não dá a mínima. Saio pra ver o que é isso, e talvez dizer um PXXXIIITTT! CALABOCA! Mas a mãe me vê, droga. Na próxima vou fazer como os atiradores dos filmes, o cano da arma não aparece na janela.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

FILO PORQUE QUI-LO, POST ROUBADO NA ÍNTEGRA DO HUMBERTO CORRADI.


Dificuldades




Três imagens da tradicional Targa Florio. Corrida que em 1919 teve entre seus pilotos inscritos
um jovem chamado Enzo, que sonhava ser cantor de ópera. Porém, aos dez anos, se apaixonou
pelos automóveis ao ser levado por seu pai para ver uma corrida de rua, chamada Coppa Florio,
vencida por um carro da FIAT.

O menino, que poucos anos depois ficou órfão do pai, se tornaria piloto de testes de uma pequena montadora que o inscreveu para correr na prova siciliana acima citada. Vida dura. O jovem piloto
teve que sobreviver a um ataque de lobos, nas montanhas de Abruzzi, a caminho da largada.
Foi salvo graças ao revólver que carregava na cintura.

Já na corrida, mais dificuldades: seu tanque de combustível saiu do lugar após a largada o que o
fez perder muito tempo. Mas o rapaz não desistiu, e acelerou o máximo para recuperar os minutos
perdidos. Até que, quase chegando a linha de chegada, deu de cara com a comitiva presidencial
italiana. Seu carro foi impedido de passar pelos policiais que faziam a escolta, até que o presidente
terminasse seu discurso numa vila próxima. Quando finalmente cruzou a linha de chegada, os
cronometristas já haviam ido embora e o jovem Enzo só foi incluído no resultado final, após
implorar para Vincenzino Florio, patrono da corrida.

Talvez a pequena história não queira dizer nada, ou ao contrário, explique muita coisa, inclusive o
motivo da Ferrari ser a maior equipe de corrida de todos os tempos.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

O GEEL E A ÁRVORE

Imprescindível supamercás porcada dia, gondolando achei um amigo de infância que pra mim não mudou nada: Sou quase cego para defeitos em pessoas que gosto. Sou quase cego pra tudo, mas pra isso os americanos já inventaram os óculos. O Geel era o inferno nos futebóis do colégio, driblava a sombra, o juiz, e fazia um sacarrolha com aquelas canetas feias e tortas que até a bola pedia os trinta. Hoje ele cria thoroughbreds, uma das palavras mais afú que tem no dizqueonário, vailaver.
Na vuelva, na esquina de casa, deparei-me com essa cena. Fui fotografar e a dona da casa achou que eu era do Ibama, me fez jurar que não era da prefeitura, uma pessoa bem culta, que tem 26 espécies nativas no terreno e cortou um galho que o vento derrubou. Somos vizinhos há 10 anos, agora nos conhecemos. O marido dela também se chama Renato. Nós, os Renatos, estamos tomando conta, devagarito. Até a esquina, o mundo já é nosso.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

HARRY E MABEL

Harry e Mabel são duas cadeiras.
Viveram juntos por muitos anos, na beira da piscina, não sei de quem, 
conheciam todos os passarinhos, viram o sol riscar o céu tantas vezes, 
ouviram sem entender direito as conversas e piadas daquela gente que 
sentava neles. Com a dança das estações, passam calor no verão, morrem 
de frio no inverno, encaram a umidade na primavera e os outonos secos, 
e assim o casal ficou com a superfície ressecada e sem cor. Um dia, 
Harry não aguenta o peso de seu dono e suas ripas, judiadas pelo tempo 
no tempo, cedem com o peso. No outro dia pela manhã, Harry é levado 
aos pedaços para o lixo. Passei por ele quando saí de casa, simpatizei 
com a figura, mas os pedaços quebrados e peças faltando me 
desestimularam. Segui em frente. Dois dias depois, ao buscar o jornal, 
deparo com outra cadeira: Mabel estava junto dos contentores de lixo, 
com a perna quebrada. E o coração: durou poucas horas sem seu amado. 
Epa, essa eu consigo consertar. Recolhi a cadeira, e com cola e dois 
grampos a fratura reduziu-se a nada. Estava como nova, afora a 
pintura. Lastimei por não ter recolhido a primeira, poderia reproduzir 
as peças que faltavam e formar de novo o casal. Dias depois, já na 
chácara, preciso "descer" para a cidade, e adivinha? Chego na garagem 
do prédio, lá está, deitadão na calçada, junto ao lixo, o Harry! A 
faxineira recolhe o material que não está ensacado e guarda essas 
coisas até o sábado, quando o caminhão da coleta seletiva recolhe o 
lixo seco. Pimbaaaaa! Uma hora depois Harry já está no bloco 
cirúrgico: Com um pé de uma mesa velha que comprei num brique e 
transformei numa bancada, cortei o contraforte, onde se fixam as 
ripas. Estas eu tirei de uma tábua de uma caixa de ipê quebrada que 
herdei do seu Julius Korn (Korn!) - o mais talentoso carpinteiro que 
já se viu nestas estâncias, suas portas e janelas funcionam 
perfeitamente após 60 anos, podem conferir no Quiosque da Praça em 
Santa Cruz do Sul - e ainda tirei peças de pinho de uma embalagem de 
um ar condicionado chinês, portanto hoje até o Harry é Made in China. 
Eles estão juntos novamente, os passarinhos são outros, receberam uma 
boa camada de verniz e voltarão a ouvir conversas e piadas, sem 
entender nada, pois eu não falo cadeirês.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

PEQUENAS HISTÓRIAS GRANDES 1

Dona Catarina tem uma família grande. No centro da mesa da sua casa, estão dezenas de porta-retratos de todos os seus filhos, genros e noras, netos, amigos, vizinhos. Como numa comunidade, tem uma harmonia entre elas, feita pela mão da dona da casa. Se duas pessoas na família brigam, Dona Catarina coloca os seus quadros juntos, dentro de um vaso de flores, e rega os retratos junto com a planta. Ela coloca alguns de castigo - na cristaleira, na parte de baixo há uma gaveta grande e escura, o limbo das almas versão doméstica, mas todos voltam para o centro da mesa, cedo ou tarde. Parece uma festa, ou melhor, uma rave, todos juntos sobre a fórmica azul naquela luz de primavera que entra pelos furinhos da cortina branca.