Hoje é aniversário do Teti. O Aérton (anagrama de Renato) Miguel Hermes de Almeida é um guri pequeno, duas prateleiras além de mim e no meio de um monte de caras mais velhos e muito, mas muito mais violentos. A Coronel Agra era uma rua pacífica, mas seus moradores não.
Explico: na minha infância, o BULLYING (em espanhol, BULISMO, muito melhor) era muito mais forte, mas bota mais nisso, do que hoje, amanhã e nunca mais. A cada discussão que eu tinha com alguém, eu apanhava, então era todo dia. Meu irmão Dé, com quatro anos, e nosso primo Tonho (irmão do Teti), cinco anos a menos de praia, também se metiam em encrencas, e eu era o maior da nossa turma, tinha que proteger os guris. Aí veio o Teti, sempre sorrindo, cabeça de martelo, arranjava bronca com os caras que até eu evitava. Mas tranquilo, eu desenvolvi a estratégia do urso. Uns podem dizer que é esperteza, mas não se nasce inteligente. Toda a inteligência vem da dor. Eu ficava na frente dos caras, encarando, e os valentões não sabiam o que fazer. Davam empurrões, às vezes davam uns tostões, que é bater com o joelho no lado da coxa, e sempre muita ofensa, pra ver se o cara saía do sério, vinha pra cima e aí eles tinham motivo pra bater sem piedade. Era tipo um código de ética, se algum adulto aparecia, os valentões levantavam os ombros e mostravam as palmas das mãos: "Mas foi ele que começou"! Os violentos também prestam contas a alguém.
Mas a minha estreia em ser o Nanny quase foi a maior cagada de todos os tempos. Estávamos em Santo Amaro, um balneário de Rio que tinha uma ilha, a gente ficava em casas na beira da água e passava o dia na ilha. Normalmente se ia de barco, alguns corajosos iam a nado. Bão, na ilha, tinha uma parte onde o pessoal tomava banho, e ali estava eu, o Dé, o Tonho, e o Tim, que vem a ser o tio Heron Borges de Almeida, falecido precocemente num acidente de ônibus, ele era o motorista, pai do Tonho e Teti. De repente surge no leito do rio, uma coisa brilhante ao sol do meio-dia. Eu pergunto pro Tim: Tu viu aquilo? O que será que é? O Tim saiu nadando na direção do objeto, a uns vinte metros. Chegou lá, era um prato grande de papel, desses que se coloca bolo de aniversário em cima. Então ele se virou e desatou a nadar de volta, desesperado. Eu me estiquei pra ver se enxergava o que ele estava enfrentando, talvez a corrente da água estivesse puxando ele, mas não. Ele veio a toda velocidade, quando chegou perto, onde já dava pra caminhar, o Tim veio saltando, parecia o lagarto Jesus Cristo, chegou do meu lado e enfiou a mão na água. Puxou dali o Tonho, que estava do meu lado e tinha pisado num "panelão", como se chamam as mossas, baixadas, no fundo do rio. E eu necas, não tinha visto nada. Foi tudo em silêncio, o quase afogamento e o resgate. O Antônio Augusto surgiu com os cabelos loiros enrolados nos dedos do pai, os olhos grelados combinando com a pele azul clara e a boca roxa, encolhido numa trouxinha, com uma película de água em volta disso tudo, parecia que estava nascendo outra vez - e tava - subitamente, respirou de novo. E tudo passou da tragédia à glória em dois segundos e mais um bocadinho.
Lembro também de ouvir os dois casais, meus pais, a tia e o tio, conversando, depois disso, a respeito da minha capacidade de cuidar dos pequenos. "É cedo ainda" disse alguém, e ficou assim, eu tinha oito anos, poxa. Era cedo mesmo. Muitas roubadas ainda por vir haha.
Eniuêi, me perdi nos traços das traças, Feliz aniversário, Tequinho (era como o Vô Vicente te chamava, lembra?)
A única foto que achei do Teti é de 85, ele foi piloto de bicicross, campeão brasileiro, foi pra França disputar o Mundial. É o terceiro da esquerda pra direita, erquendo o troféu, ao lado do cara de boné xadrez.
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sábado, 4 de dezembro de 2010
quarta-feira, 31 de março de 2010
CADA UM NA SUA PEPSI

Família tralalá num casório. Olha a força que o pai tá fazendo pra cortar a carne. Ou a faca era vesga ou o boi era halterofilista! O meu irmão Dé, a mãe de peruca, era o mãst, só falta a Lúcia, não sei aonde ela foi.
segunda-feira, 15 de março de 2010
O DO DÉ

Meu irmão Dé ganhou um carrinho para correr no Autorama, eu tinha uns 12 anos e ele 8. O carro era o Copersucar, ele que escolheu, era muito bonito, mesmo. Muitos anos depois, ao visitar o interior do estado, achei uma loja de brinquedos numa pequena cidade com um desses na caixa, tinha encalhado e nunca venderam, eu devia ter comprado.
sexta-feira, 12 de março de 2010
CCC

Lotus do meu Autorama. No outro Natal o meu irmão Dé, ganhou o Copersucar, e corria muito bem, ele e o carro.
quarta-feira, 10 de março de 2010
CHACK RITO, SAM POKE E SAM BANKS
Meu irmão, quando era criança, tinha uns amigos imaginários. Toda criança tem, mas o Dé, meu brother, usava o Chacrito, o Sampoke e o Sambanks em quase tudo, de uma desculpa por chegar tarde até para tentar explicar a alguém onde ficava a venda. Ele alongava os causos, e a gente dava corda, perguntava onde eles moravam, o que faziam, se eram parentes, e o Dé tinha resposta pra tudo. Um dia meu pai entrou no carro com o meu irmão e foram procurar os caras. Não acharam, mas segundo o Dé, estiveram bem pertinho das casas deles.
Tagando e andando:
Dé
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