Uma vez fiquei puto com um amigo e passei quinze anos sem falar com ele.
Uma vez fiquei puto com esse blog e passei sete meses sem postar.
Uma vez fiquei puto com o facebook, que é para onde eu tinha migrado com minhas lindas ideiazinhas. E aí voltei pra cá. É meu, tá pago, volto e desvolto quando eu ou o facebook quisermos!
Oi. Eu tava com saudade. não tenho nenhuma grande sacada, área de serviço ou mesmo um quartinho de empregada.
Eu, os humanos, somos feitos assim, reagimos assim porque a matéria reage assim, somos escravos de nossos átomos.
segunda-feira, 19 de agosto de 2013
quarta-feira, 23 de janeiro de 2013
domingo, 30 de dezembro de 2012
Mc LANCHE TRISTE
Fui no McDonalds logo que inaugurou, para o meu almoço das três horas. Na mesa ao lado, um guri de sete anos devorava seu lanche enquanto seu pai de vinte e poucos metralhava:
- Tu nem sabe quanto veneno está colocando no teu corpo. E essas batatas fritas ficam quatro meses sem apodrecer. Come logo pra gente ir embora!
Pois o guri nem terminou seu lanche e deixou metade do hamburger - metade do hamburger! - Heresia contra o Templo Sagrado da Sacrossanta Gordura Trans das Últimas Fritas com Molho Barbecue!
Tagando e andando:
Comportamento
quinta-feira, 6 de dezembro de 2012
FACHADA
As coisas não costumam ser como as coisas são.
Para tirar aquela foto, o fotógrafo não tinha espaço, então usou um lente que deixou tudo perspectivado - o Leonardo da Vinci e tantos outros artistas que morreram tentando decifrar a perspectiva iriam ter um troço - e com o Photoshop amigo eu coloquei tudo nas linhas. Sabia que o Photoshop é muito utilizado para fazer cenários de filmes? Aquele ambiente que você jura ser real, não é não. Vide a primeira frase deste post.
Tagando e andando:
Ilustrações,
Propaganda
quarta-feira, 21 de novembro de 2012
segunda-feira, 12 de novembro de 2012
O MUNDO É REDONGO
Eu fui na loja de ferragens comprar um refil para a minha lixadeira. Um velhinho, com ar de simpático, pequenino, se prontificou a me ajudar, pois bem:
- Olá, eu quero uma cinta nova para minha lixadeira.
- Pois não, tu trouxe a cinta de lixa antiga ou a máquina?
- N ão, eu...
- Mas assim não dá! Como é que eu vou saber qual o tamanho da lixa?
Eu puxei o ar e interrompi de volta:
- Escuta, o senhor é funcionário aqui, não?
- Sim, sou.
- Posso ver a sua carteira de trabalho?
- Mas por quê?
- Quero olhar na página que diz qual a sua função, se lá está escrito "retrucador". Retrucadores têm Salário Base? Sao sindicalizados? Vocês têm um representante no congresso? Ademais, a lixadeira eu comprei aqui, tem uma igual ao lado da sua cabeça, se é que o senhor sabe onde ela está.
O ex-velhinho simpático me deu as costas e sumiu no meio das prateleiras.
Mais tarde, levei o carro para a revisão.
- Bom dia, eu quero que vocês ajustem o limpador do parabrisas, está mal regulado.
- Estou vendo na sua ficha, isso não teria acontecido se o senhor não tivesse se atrasado para fazer a revisão anterior deste automóvel, e...
- Escuta, posso ver a tua carteira de trabalho?
- Olá, eu quero uma cinta nova para minha lixadeira.
- Pois não, tu trouxe a cinta de lixa antiga ou a máquina?
- N ão, eu...
- Mas assim não dá! Como é que eu vou saber qual o tamanho da lixa?
Eu puxei o ar e interrompi de volta:
- Escuta, o senhor é funcionário aqui, não?
- Sim, sou.
- Posso ver a sua carteira de trabalho?
- Mas por quê?
- Quero olhar na página que diz qual a sua função, se lá está escrito "retrucador". Retrucadores têm Salário Base? Sao sindicalizados? Vocês têm um representante no congresso? Ademais, a lixadeira eu comprei aqui, tem uma igual ao lado da sua cabeça, se é que o senhor sabe onde ela está.
O ex-velhinho simpático me deu as costas e sumiu no meio das prateleiras.
Mais tarde, levei o carro para a revisão.
- Bom dia, eu quero que vocês ajustem o limpador do parabrisas, está mal regulado.
- Estou vendo na sua ficha, isso não teria acontecido se o senhor não tivesse se atrasado para fazer a revisão anterior deste automóvel, e...
- Escuta, posso ver a tua carteira de trabalho?
sábado, 20 de outubro de 2012
segunda-feira, 1 de outubro de 2012
JOELSON
Um grande amigo da minha infância foi o Joelson. Ele morava a uns 6 quilômetros da cidade, em uma vila construída para os trabalhadortes da Ostra, a empresa que fez a estrada conhecida hoje como RSC 287, que liga Venâncio Aires a Porto Alegre. Eu ia visitá-lo de bicicleta, era uma excelente oportunidade para usar meu capacete Fittipaldi azul marinho. Era uma família humilde, mas sua mãe nunca deixou de servir um delicioso pão de milho doce com café preto, era a única vez que eu podia tomar café puro, eu me sentia o cara. Ele não tinha bicicleta, então eu deixava ele andar na minha, eu fiquei ciumento das minhas coisas - quando um cara tocou minha guitarra melhor do que eu, atirei abóboras e champagnes na parede de raiva - bem mais tarde.
Um dia, ele pedalando e eu fui na carona, sentado no guidão e com os pés na roda da frente. Despencamos num descidão, lá embaixo um barracão de ferramentas. No meio da loucura o Joelson avisa que escapou a correia e estamos sem freio. Eu, sem pensar, me jogo da bicicleta, que passa por cima de mim! Todo esfolado, olho pra ver o que aconteceu: O Joelson dando risada, fazendo um cavalo de pau a centímetros da parede. Era mentira, o freio estava funcionando. Eu que me apavorei e me joguei. Filho da puta, me ensinou alguma coisa.
Um dia, ele pedalando e eu fui na carona, sentado no guidão e com os pés na roda da frente. Despencamos num descidão, lá embaixo um barracão de ferramentas. No meio da loucura o Joelson avisa que escapou a correia e estamos sem freio. Eu, sem pensar, me jogo da bicicleta, que passa por cima de mim! Todo esfolado, olho pra ver o que aconteceu: O Joelson dando risada, fazendo um cavalo de pau a centímetros da parede. Era mentira, o freio estava funcionando. Eu que me apavorei e me joguei. Filho da puta, me ensinou alguma coisa.
sábado, 29 de setembro de 2012
ONTENZINHO
Meus pequenos passos ecoam pelo piso de tábuas da casa da minha tia Marli, a Ani. O Tim, marido dela, está pegando um par de botas em uma caixa sobre o guarda-roupa. Ele me vê, e diz:
- Tuta, olha aqui, a gente sempre tem que ficar de olho vivo.
Tendo dito isto, bateu com o calcanhar da bota no chão e dela saltou uma imensa aranha que na hora levou uma pancada com o salto da mesma bota - e de repente viu uma grande luz, quando surgiu uma aranha velha, de barbas longas e com uma chave pendurada na cintura.
Parecia que ele sabia que a aranha estava ali, parecia que ele havia treinado a vida inteira para fazer aquele movimento rápido e mortal, parecia que tudo aquilo iria durar para sempre. Na minha memória, este e infinitos outros momentos estão vivos, barulhando, luminosos.
- Tuta, olha aqui, a gente sempre tem que ficar de olho vivo.
Tendo dito isto, bateu com o calcanhar da bota no chão e dela saltou uma imensa aranha que na hora levou uma pancada com o salto da mesma bota - e de repente viu uma grande luz, quando surgiu uma aranha velha, de barbas longas e com uma chave pendurada na cintura.
Parecia que ele sabia que a aranha estava ali, parecia que ele havia treinado a vida inteira para fazer aquele movimento rápido e mortal, parecia que tudo aquilo iria durar para sempre. Na minha memória, este e infinitos outros momentos estão vivos, barulhando, luminosos.
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LEMBRANÇAS,
Viet-Nâncio
quarta-feira, 19 de setembro de 2012
SONNY
Meu filho me corrige no post anterior a rua é Armando Ruschel, nosso antigo vizinho de chácara, perto também do professor Juca, que morava numa casinha de madeira com sua mãe.
Obrigado filhoto.
Obrigado filhoto.
ON THE AIR
Uma vez eu peguei as caixas do meu três-em-um e montei uma mesa de mixagem no porão de casa, coloquei uma placa sobre a luz onde dizia NO AR.
Era uma porcaria de som, mais umas caixas que mandei fazer na marcenaria do... do... ajuda ae... no fim da Coronel Agra com a Salvador Stein Goulart... Petry... Mitter... o Cezinha Castro estava lá na última vez que lá estive... eniuey, eu imitava os imitadores de imitadores, tava bom assim. Um dia, resolvi que tocar música não era o mesmo que apertar o play. Mas isso sou eu que acho.
Era uma porcaria de som, mais umas caixas que mandei fazer na marcenaria do... do... ajuda ae... no fim da Coronel Agra com a Salvador Stein Goulart... Petry... Mitter... o Cezinha Castro estava lá na última vez que lá estive... eniuey, eu imitava os imitadores de imitadores, tava bom assim. Um dia, resolvi que tocar música não era o mesmo que apertar o play. Mas isso sou eu que acho.
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Rock
terça-feira, 18 de setembro de 2012
BOCA A BOCA
Esse blog está sofrendo os efeitos do facebook. Sua interface é mais dura, mais burra, isso que o facebook nem faz ideia do que vai ser quando crescer, e estou jogando minhas impressões naquele esgoto do Zucka, confiando que depois que eu morrer elas ficarão ali para toda a eternidade digital, mesmo que ninguém dê a mínima.
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A Humanidade
sábado, 15 de setembro de 2012
terça-feira, 11 de setembro de 2012
segunda-feira, 10 de setembro de 2012
UM DIA ESPECIAL
Hoje é um dia especial. Uma pessoa, que fala mal de todo mundo, que acha tudo ruim, que zomba das pessoas, que esculacha com prazer a minha raça, a raça humana, veio até minha casa para pedir perdão. Eu lembrei daquela frase: Errar é humano, perdoar é divino.
Pois bem, falei: Faça-se o verbo! Faça-se a luz! e nada aconteceu. Sendo assim, não sou divino e consequentemente não sei perdoar. Botei-a para fora da minha casa, só não chutei sua bunda porque ela saiu em disparada, por um segundo eu lhe dava uma guinda bem no meio do rabo!
Pois bem, falei: Faça-se o verbo! Faça-se a luz! e nada aconteceu. Sendo assim, não sou divino e consequentemente não sei perdoar. Botei-a para fora da minha casa, só não chutei sua bunda porque ela saiu em disparada, por um segundo eu lhe dava uma guinda bem no meio do rabo!
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Eu-me
domingo, 2 de setembro de 2012
RICONEIRAS 0.001 - O SORRISO
Rinconeiras são fatos, acontecidos e causos aqui de onde moro, Rincão dos Oliveiras, interior de Santa Cruz do Sul.
Caminho e corro uns quilometrozinhos bem na infância das manhãs, hoje encontrei o Sorriso, um moreno magriço com dois dentes na boca, um em cima, outro em baixo, e detalhe, não se encontram, um de cada lado. Fico pensando como ele faz para abrir saquinho de ketchup.
Sorriso me viu, sorriu, falou opa-firme?, cada passo em uma direção, mas de algum modo, rumava para casa. E, rindo, me disse: A venda ainda não abriu. Mas eu só queria levar o dinheiro do trago que bebi!
Caminho e corro uns quilometrozinhos bem na infância das manhãs, hoje encontrei o Sorriso, um moreno magriço com dois dentes na boca, um em cima, outro em baixo, e detalhe, não se encontram, um de cada lado. Fico pensando como ele faz para abrir saquinho de ketchup.
Sorriso me viu, sorriu, falou opa-firme?, cada passo em uma direção, mas de algum modo, rumava para casa. E, rindo, me disse: A venda ainda não abriu. Mas eu só queria levar o dinheiro do trago que bebi!
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Rinconeiras
sábado, 1 de setembro de 2012
O TITO, O OLÍS E O MISTERIO DA GALINHADA
Seu Olís, cujo nome era Ulysses, foi cozinheiro de uma equipe que andava, nos anos 1960 a 1980 no interior do estado do RS, marcando árvores para postes, a serviço da companhia elétrica. Com ele viajavam o motorista Tito, o José, meu sogro, o Anselminho e o seu Wilson, o chefe da turma. Quando o jantar era galinhada, o pessoal reclamava que só pegava os pedaços sem carne da galinha, só pescoço, asas, sambiqueira e quetais. Uma noite o Tito ficou na tocaia só sacando o que o cozinheiro Olís fazia. Ele assava os pedaços na caçarola e antes de colocar o arroz, que cobria tudo, movia as peças mais saborosas e cheias de carne para o lado do cabo. Com isto, a turma se servia na parte da frente da panela, onde estavam os piores cortes, sobrando os bons para o cozinheiro. Nisso o Tito foi se servir e tungou a colher no lado do cabo, o Olís berrou:
- Vê se isto é jeito de se servir, junto do cabo...
E o Tito, na hora, com aquela voz de escapamento de DKW:
- Tu cala a boca alemão desgraçado, tu pensa que eu não vi que tu bota os pedaços bons, a moela, as coxas, desse lado e só tu come?
Acabou ali o mistério da galinhada.
- Vê se isto é jeito de se servir, junto do cabo...
E o Tito, na hora, com aquela voz de escapamento de DKW:
- Tu cala a boca alemão desgraçado, tu pensa que eu não vi que tu bota os pedaços bons, a moela, as coxas, desse lado e só tu come?
Acabou ali o mistério da galinhada.
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Histórias,
Zé Taquara
segunda-feira, 27 de agosto de 2012
sexta-feira, 24 de agosto de 2012
quarta-feira, 22 de agosto de 2012
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