domingo, 17 de maio de 2009

FURACÕES E BORBOLETAS


Faz tempo, eu morei em uma casa colada em outra, onde tinha uma família. A gente era separado por um muro, mas eu ouvia todo dia o pai sentar pra jantar com a mulher e seu casal de filhos, de 6, 7 anos, e começar a gritar como um louco "come essa comida!"ou "para de chorar!" seguido por um "Cala essa boca!". Toda noite ele criava um clima terrível em sua casa, e em seguida pegava um violão, sentava na área da frente e tocava como um baita artista, melodias lindas, ponteadas, batidas, muito bonito mesmo. Aquilo, a suavidade das melodias que ele tirava no violão contrastava com o horror que eram os jantares naquela casa. Até hoje o vejo por aí, nunca me interessei em saber o nome dele, ou o que ele faz da vida, e muito menos o que deixava ele tão frustrado. Sim, porque o cara só podia ter uma grande decepção na vida para fazer todos à sua volta tão infelizes. Proximidade é um troço muito complicado, às vezes.

Nenhum comentário:

Postar um comentário